Sabe aquele desespero de olhar para a folha em branco da redação e sentir que o cérebro travou? Ou aquela ideia de que ser criativo é um dom divino concedido apenas para um grupo seleto de pessoas iluminadas?
Pois bem, temos uma ótima notícia: criatividade não é mágica e a publicidade prova isso todos os dias.
Para te ajudar a entender como as grandes ideias nascem e, principalmente, como usar isso a seu favor (seja no vestibular ou na carreira profissional), mergulhamos nos estudos de João Anzanello Carrascoza, um dos maiores nomes da redação publicitária do país.
O mito da inspiração vs. o poder da associação
Parece óbvio, mas criar algo novo não é tirar uma ideia do nada. Muito pelo contrário, criar é reunir recortes de discursos, imagens, conhecimentos prévios e uni-los de uma forma que faça sentido o seu texto.
A ciência explique que nosso cérebro cria conexões de três formas principais:
➜ Por semelhança: quando uma ideia lembra outra parecida. Por exemplo, associar o azul do mar ao frescor de uma fragrância.
➜ Por contiguidade: quando palavras ou ideias estão no mesmo contexto discursivo. Se pensamos na palavra “escola”, por exemplo, vêm à mente “estudo”, “amigos” ou “futuro”.
➜ Por causa e efeito: quando antecipamos resultados e consequências de uma ação. Afinal, quem estuda com estratégia colhe a aprovação
Portanto, no dia da prova, não espere pelo “raio da criatividade”. Em vez disso, use o rascunho: liste palavras e conceitos que você já conhece sobre o tema e, em seguida, tente conectá-los de forma coerente.
Estrutura de um texto que convence (o segredo de Aristóteles)
Seja para convencer alguém a comprar um carro ou a banca avaliadora de que sua tese está certa, a estrutura básica de argumentação é a mesma há milênios.
Aristóteles dividiu o discurso em quatro partes que você pode aplicar hoje mesmo em seus textos:
➜ Introdução: que tem como objetivo captar o interesse do leitor mostrando de forma breve o conteúdo exposto em seu texto.
➜ Apresentação dos fatos (Narração): o espaço onde você conta a história, todo o contexto necessário para que o leitor entenda suas motivações e argumentos de forma clara.
➜ Provas: é a hora dos argumentos. Use dados, exemplos do passado e lógica para demonstrar que você tem razão, lembrando sempre que quem está lendo, pode não ter o mesmo conhecimento que você.
➜ Gran finale: o fechamento. Resuma seus pontos principais e faça um convite à reflexão ou ação.
Sabia que os grandes poetas podem salvar sua redação?
Muitos escritores famosos que você estuda em Literatura, como Olavo Bilac, Carlos Drummond de Andrade e Manuel bandeira, sabiam que a publicidade e a poesia usam as mesmas ferramentas: as figuras de linguagem.
Elas servem para “seduzir” o leitor e tornar a mensagem difícil de ser ignorada. É o tipo de conhecimento que passa batido durante o ano letivo por parecer que não tem serventia alguma, mas ele pode te salvar quando for apresentar suas ideias e argumentos de forma coerente.
RESUMINDO…
Escrever bem é uma das habilidades mais valorizadas em qualquer profissão. E, ao contrário do que muitos pensam, não é preciso nascer com o dom da escrita para escrever um bom texto. Assim como qualquer ciência, a base que usamos para escrever é estratégica e segue padrões que conseguimos identificar com muita prática.
