Você sabia que sua redação na maioria dos vestibulares vale MIL pontos? E que isso, no Enem, equivale ao peso de TODAS as outras quatro provas juntas? Por isso ela influencia diretamente a média final, e quem zera, é eliminado automaticamente dos processos seletivos. Com tanto em jogo, entender o que o corretor avalia e como usar isso a seu favor faz toda a diferença na hora de escrever.
Como você é avaliado: as temidas 5 competências
A redação é corrigida com base em cinco competências, cada uma valendo até 200 pontos. Conhecê-las é o primeiro passo para garantir uma boa nota.
Domínio da norma padrão da língua portuguesa
Sua redação vai passar por uma análise gramatical de ortografia, acentuação, concordância verbal, nominal, regência, uso correto de pronomes e pontuação, mas fique tranquilo, você tem margem de erro.
A falta de um a acento, um erro de concordância ou uma pontuação errada, não vai afetar sua nota da mesma forma que o uso de gírias, abreviações inadequadas e desvios gramaticais graves e frequentes. Esses sim podem fazer a nota da sua redação despencar.
Aqui, a nossa dica é: leia o texto em voz baixa depois de escrever. Erros de concordância que passam despercebidos na hora da escrita ficam mais evidentes quando você os ouve.
Compreensão do tema + repertório sociocultural
É a competência que diferencia os textos medianos dos que chegam à nota máxima, pois demonstra sua capacidade de interpretação e análise crítica em relação ao tema: o corretor identifica se você entendeu a proposta e se usou corretamente conhecimentos de outras áreas para fundamentar os argumentos.
Para fortalecer sua tese, você pode usar fatos históricos, notícias, dados de pesquisa, literatura, músicas e cinema, por exemplo, mas essas referências precisam fazer sentido com o texto e serem exploradas de forma coerente. ANOTE:
Nada de usar informações genéricas que não se conectem com o tema!
Suas referência precisam sustentar o argumento e, consequentemente, sua tese.
Organização e defesa do ponto de vista
De nada adianta uma boa tese e uma boa estratégia argumentativa, se a tese não é clara e os argumentos utilizados não são consistentes, bem desenvolvidos e organizados.
Uma redação com muitas ideias soltas, sem hierarquia, tende a perder pontos. Por isso a estrutura da dissertação é sua aliada.
Muitos estudantes temem a estrutura padrão da redação dissertativo-argumentativa, mas ela é um excelente ponto de partida, porque organiza o seu texto por você:
- Introdução com apresentação do tema e tese;
- Até dois parágrafos de desenvolvimento com argumentos diferentes e bem articulados para sustentar sua tese;
- Conclusão.
Coesão e uso de mecanismos linguísticos
Coesão é o que torna um texto mais fluido e agradável de ler. E para isso, o uso dos conectivos, pronomes e expressões que ligam as frases e os parágrafos de forma lógica, são obrigatórios.
Mas, como tudo na redação, os conectivos precisam ser bem escolhidos para manter a coerência (lembrou das aulas de português?).
A coesão nada mais é do que a aplicação certa de conectivos para manter o sentido do texto.
Conclusão
É o parágrafo conclusivo da redação e o mais decisivo, porque é nesse momento que os estudantes concluem toda a dissertação desenvolvida até ali.
Existem bancas que, nesse parágrafo, exigem uma proposta de intervenção, ou seja, uma solução para a problemática apresentada, mas isso não é regra.
Vestibulares como o da UFMS e UCDB, não exigem uma proposta, e sim, um fechamento coerente de todas as ideias apresentadas. Você retoma a sua tese inicial, resume os pontos destrinchados e conclui da forma que julgar melhor de acordo com o tema: com uma reflexão ou sugestão de solução.
No caso do Enem, a proposta de intervenção é obrigatória, e quando genéricas ou pouco detalhadas, prejudica a nota. Para não escorregar no finalzinho do texto, existem 5 elementos que te ajudam a estruturar uma boa proposta:
- ação (o que deve ser feito)
- agente (quem vai fazer)
- modo ou meio (como será feito)
- efeito ou finalidade (qual resultado se espera)
- detalhamento (uma informação adicional que especifique um dos outros elementos)
A ausência de qualquer um desses elementos, impactam diretamente na nota final, então repita a lista de trás para frente e de frente para trás até decorar.
Dica Extra
Um recurso que funciona bem é retomar na conclusão algum elemento usado na introdução, como um dado ou um conceito. Isso cria coerência entre o início e o fim do texto e demonstra domínio sobre a própria argumentação e organização textual.
Conheça os erros mais comuns
Agora que você já sabe como estruturar a sua redação nota máxima, também é importante conhecer as armadilhas mais comuns.
Fugir do tema: parece raro, mas acontece com frequência por conta da interpretação textual. Por isso, leia a proposta com calma e cuidado, identifique a questão central e procure sempre retomar o foco ao longo do texto.
Usar repertório decorativo: como dito anteriormente, repertórios “soltos” no texto, sem que se explore a conexão com o tema, são penalizados. Prefira uma referência mais simples e bem desenvolvida a três mais complexas que sejam apenas citadas ao longo do texto.
Criar uma proposta de intervenção superficial: quanto mais específica e detalhada for a proposta, melhor avaliada ela será.
Como se preparar na prática
Na hora de escrever, nada supera a prática. Você pode ler essas orientações dezenas de vezes, mas se não praticar vai ser muito difícil aplicá-las e garantir uma boa nota.
Além de escrever, busque outras opiniões. Peça ajuda aos professores e colegas, observe atentamente onde os pontos foram perdidos e reescreva cada texto com base nos feedbacks.
Ler redações nota máxima. Essa dica é ótima porque te ajuda a fixar a estrutura de forma passiva. A Cartilha do Participante do INEP, por exemplo, está disponível gratuitamente no site oficial e tem exemplos de redações bem pontuadas comentadas por competência. Além de assimilar de forma prática a estrutura da redação, você ainda conhece diferentes pontos de vista, argumentos e propostas, que podem enriquecer seu reportório argumentativo.
Ampliar o repertório no dia a dia. Se interesse pelo mundo à sua volta, assista a filmes clássicos e atuais, leia livros além dos obrigatórios e ouça músicas além das trends.
Uma dica que vale a pena anotar: pesquise eventos que completam datas fortes (5, 10, 15, 100, anos etc.) no ano da sua redação. Se calhar de conversar com o tema, você vai surpreender!
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