Dica de Livro: Toda Poesia

Escritor, crítico literário e tradutor. Assim podemos definir Paulo Leminski. Um dos grandes e renomados poetas de sua geração, que tinha nas mãos a facilidade em transformar a vida em poesia.

O devorador de cultura teve como sua primeira grande influência o concretismo brasileiro, que fora criada pelos irmãos Haroldo e Augusto de Campos e Décio Pignatari, através da revista Noigandres. Nela, esses poetas utilizavam recursos estilísticos diferenciados, como a eliminação de versos e a incorporação de figuras geométricas. Conteúdos visuais e sonoros contavam bastante também nesse tipo de poesia.

Paulo Leminski, o polaco-africano brasileiro, na década de 60 e 70 absorveu muito o conceito da poesia marginal, o que fez com que a crítica o caracterizasse dessa forma, pois ele era contra o sistema capitalista, e tudo na cabeça dele era inutilitário.

Seu livro Toda Poesia é uma coletânea com o conjunto dos poemas já publicados em seus livros “Quarenta Clics em Curitiba” (1976), “Caprichos & Relaxos” (1983), “Distraídos Venceremos” (1987) – última obra poética publicada em vida –,“La Vie en Close” (1991), “O Ex-Estranho” (1996), “Winterverno” (2001) e “Poemas Esparsos”.

Paulo Leminski

Sua obra vem cheia de sensibilidade e profundidade, que percebemos no decorrer de cada livro que o poeta amadurece e recria, porém é notável a presença constante em seus poemas de temáticas universais como: vida, morte, sofrimento e amor.

Os textos dentro dessa obra são curtos e objetivos, mas isso não quer dizer que a leitura não é profunda. Em pouquíssimas linhas, Leminski tem a capacidade de fazer com que o leitor sinta, viaje e pense, dando fruto à imaginação e criação de momentos e histórias.

Além do concretismo, essa obra apresenta características barrocas, interligadas aos poemas clássicos, sendo sua estética extremamente moderna. O poeta utiliza a todo o momento a metalinguagem, optando por poemas breves, cheios de haicais, trocadilhos e relações com ditados populares. Por isso, com essas técnicas diferenciadas, ele foge da obviedade e deixa o leitor instigado com as suas ideias que ficam no ar.

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